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Posted on 29/julho/2017 in Crônicas, Slide

Minhas primeiras mal traçadas linhas

Minhas primeiras mal traçadas linhas

Fevereiro de 1979 – Escola Estadual Professor Luciano Felício Biondo, Osasco.

Não sei exatamente o dia mas me lembro como se fosse ontem. Meu primeiro dia na escola. Um frio na barriga, as mãos suando segurando as mãos de minha mãe, uma ansiedade e ao mesmo uma felicidade sem fim.

Estas são imagens do meu primeiro caderno, que guardo até hoje com muito carinho e me emociono toda vez que o vejo. Notem que ele está todo remendado mas não pela  ação do tempo não.

Ocorre que minha família era muito humilde e meus pais, com 4 crianças pequenas, não tinham condições de comprar um caderno novo para a minha estreia. Então minha mãe reciclou um caderno usado do meu irmão mais velho. O que pra mim não fez a menor importância. Na minha inocência de menina eu não imaginava a transformação que aquele monte de folhas coladas e vazias podiam fazer na minha vida. Talvez eu ainda não tivesse noção da importância da escola na vida da gente e aonde esses primeiros rabiscos me permitiriam chegar.

Naquele tempo só  entrava na primeira série após completar 7 anos e como sou de outubro, já havia passado dos 7.  Pré escola era só particular, para as famílias de melhor poder aquisito, o que não era meu caso, como deu para perceber.

Naquele tempo, parecia que o frio era mais frio, a geada deixava tudo branquinho, acordava muito cedo, comia um ovo quente (quando tinha ovos), pão com margarina.  E no “emborná” além do caderno e lápis, às vezes bolinho de chuva outras vezes algumas bolachas, outras vezes não tinha nada.  A refeição principal seria feita na escola, sopa, naquelas canequinhas de alumínio que esquentavam tanto que mal dava para por a boca rsrs (ah tinha que levar colher de casa e quando esquecia, então era obrigada a beber a sopa).  As crianças de famílias mais endinheiradas levavam para o lanche pão com mortadela e café com leite numa lancheira com copo especial, um luxo!

Meu pai era operário e minha mãe enquanto éramos pequenos lavava e passava roupas pra fora e costurava para ajudar a completar as despesas. Quando crescemos um pouco ela passou a ser empregada doméstica. Passamos por muitas privações e dificuldades,  muitas vezes faltou o alimento na mesa, mas meus pais  sempre fizeram questão que todos nós fôssemos para escola, essa sempre foi a prioridade.

Não me canso de lembrar da minha felicidade em poder ir para escola, em aprender a ler e escrever. Dia desses quando participei do programa Conexão da Cidade, na rádio web do colega Benilton Freitas ele me perguntou o que para mim deveria ser prioridade para a boa gestão de uma cidade e eu de pronto, respondi Educação. E eu sou um exemplo de alguém que chegou onde chegou por causa da Educação.

Coincidentemente minha professora era minha chará, dona Sonia. Minha mãe sempre cultivou flores e sempre que podia fazia um buquê e eu toda feliz levava para minha professora.  Muito obrigada professora Sonia.  Muito obrigada meu pai e minha mãe.

Obrigada a tantos professores que passaram pela minha vida, que me ensinaram o “beabá”, que me mostraram uma parte do mundo que sem eles eu não teria conhecido, as letras, os livros e que infelizmente em pleno século 21 muitos ainda não conhecem.

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2 Comments

  1. Que história linda….a realidade de muita gente. Parabéns aos seus pais e professores. Parabéns a você. Bjinhos

  2. Que história linda….a realidade de muita gente. Parabéns aos seus pais e professores. Parabéns a você. Bjinhos

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