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Posted on 30/agosto/2017 in Crônicas, Slide

Deu match e agora?

Deu match e agora?

É namoro ou amizade? Qual o seu aplicativo preferido?

Em tempos de zap zap, facebook, snap chat, messenger e outros meios de contatos virtuais, as relações interpessoais também se adaptam às novas plataformas, de cada vez menos apertos de mãos, abraços, beijos, menos olho no olho… quase tudo se resolve pela tela do smartphone. E mesmo aquilo que você está pensando, muita gente está resolvendo pelo celular, estão aí os nudes que não me deixam mentir.

E com os contatos físicos cada vez mais escassos, as pessoas que passam horas em discussões e bate papos nos grupos virtuais acabam se vendo isoladas do mundo. E quando menos percebemos, estamos sós. É quando bate aquele vazio, aquela vontade de ter um colo, de sentir um abraço, de cheiro de gente, de corpo suado, de dormir de conchinha e levar ou receber café na cama… mas cadê todo mundo?

Voltamos para o smarthphone. Eles estão lá, nos sites de relacionamento: par perfeito, badoo, happn e o mais badalado de todos, o Tinder. Tenho uma amiga especialista neste assunto. E duvido que você, mesmo que por curiosidade nunca tenha dado ao menos uma espiada em alguns deles.

Pois bem, minha amiga super tecnológica me convenceu de que o mundo virtual poderia ser uma boa alternativa para me livrar da solterice. Eu nem estava muito convicta de que queria isso, mas sabem como é curiosidade, não é? E bateu o espírito jornalístico que vê pauta em tudo. Lá fui eu. Escolhi o Tinder, que nada mais é do que uma lojinha de homens e mulheres que você escolhe pela embalagem; Ora desliza o dedo para a direita, ora para esquerda e assim vai, gostei, não gostei, gostei, não gostei… até dar “match”. Quando isso acontece significa que você e a outra pessoa gostaram um do outro mutuamente, podem conversar, marcar encontros e quem sabe até casar?

Me identifiquei como jornalista no meu perfil mas não revelei qual seria minha principal intenção por ali, claro que não estava descartado conhecer de fato “o cara” que pudesse mudar meu estado civil.

Dedo para a direita, dedo para esquerda, gostei, não gostei, esse eu quero, esse eu não quero… Como diz outra amiga, “que preguiça”!

“Fulano de tal, casado em busca de sexo casual”. “João, procurando minha submissa”, “Pedro quer mulher para casar”, “Mario está a espera da dominadora”…

Batmam, Robin, Homem Aranha, Super Man e até Papai Noel aparecem nas embalagens, ops, nos perfis.  Nas capas nem sempre são rostos, muitos tórax fortes, barrigas tanquinhos, taças de vinhos, bundas, e calças apertadas com altos volumes na frente…

Opaaa, deu match!! E em seguida um “oi”. Não foi necessário muito tempo para descobrir que José era um garoto de programa, mas que se dizia amante profissional, o que pra ele fazia uma grande diferença pois fazia sexo com mulheres por prazer. “Se me pagarem eu aceito”, disse.  Me identifiquei como jornalista e pedi que me desse uma entrevista. Ele topou de pronto. Ao saber de onde eu teclava (Cotia),  disse que era parente de um famoso político da cidade. A entrevista teria que ser pessoalmente e eu teria que “compensá-lo” por isso. Bem a entrevista nunca aconteceu e descombinei.

Dedo para a direita, dedo para esquerda, gostei, não gostei, esse eu quero, esse eu não quero… Alguns outros “matches” ocorrem e interagi com alguns rapazes na faixa etária de 40 a 55 anos e idade. Para alguns me identifiquei como jornalista em busca apenas de entender o universo masculino nos sites de relacionamento. Mesmo garantindo sigilo na fonte, até porque impossível saber quem ali é realmente o que diz ser, a maioria não topou participar da pesquisa e descombinou. Para os quais não me identifiquei,  algumas vezes o papo fluiu mas a maioria esmagadora deles estavam ali apenas para diversão, são homens casados que querem sexo virtual e até encontros reais, o que não era minha intenção.

Mas o que pensam as mulheres sobre a paquera no aplicativo? Neste caso, a pesquisa foi no mundo real, regado a cerveja, petiscos e muito risada  na roda de amigas na mesma faixa etária de idade dos homens da minha abordagem.  Contrário dos homens, as mulheres buscam a paquera virtual como alternativa para de fato saírem da solidão real, ao menos a maioria. Mas são exigentes e aqui fica a dica para os homens que querem chamar a atenção: caprichem nas fotos e de acordo com minha rápida pesquisa entre amigas, atentem a alguns cuidados como não postar fotos de camiseta regata e de óculos escuros. Também não vale foto ostentando carro importado. Foto com cachorro nem pensar porque elas vão colocar em xeque sua masculinidade.  E se você for profissional da construção civil nem pense em usar uma foto na frente de uma parede sem reboco pois estará descartado também.

Ah e agora uma dica também para você que tem namorado, namorada, ficante ou até um suposto pretendente e resolve se aventurar no aplicativo de paquera: cuidado que aquele seu “match” pode ser amigo dele ou dela e não adianta você dizer que não estava fazendo nada demais porque não vai colar. Foi o que me disse uma amiga.

De todos que cruzaram meu caminho virtualmente, posso dizer que sobram dois que parecem homens comuns, de carne e osso, embora não tenha ocorrido nenhum contato físico,  simplesmente batem papo. Por fim, minha temporada no Tinder não mudou meu estado civil.  E muito menos mudou minha convicção de que quando se quer uma relação real seja de namoro, amizade ou o que for, ela estará no mundo real e não no virtual.

Nota: Os nomes usados no texto são fictícios. Meu perfil já foi excluído do aplicativo.

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