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Posted on 03/fevereiro/2018 in Colaboradores, Slide

A casta dos “imexíveis”

A casta dos “imexíveis”

Por Rubens da Fonseca*

Antes de mais nada, deixo claro que sou completamente contra a retirada de direitos, sejam eles quais forem e de quem quer que seja.

É público e notório, que este movimento de retirada de direitos ganha escalas jamais vistas, seja nacional, estadual ou municipalmente.

O Estado e sua falta de gestão, gastando mais do que arrecada (e gastando mal: vide denúncia, sem resposta por parte da Prefeitura, do prédio alugado há 6 meses, por módicos R$ 110 mil, e que só esta semana foi ocupado) gera gargalos e problemas estruturais sérios. Qualquer empresa quebraria em menos de um ano, com uma gestão baseada nestes princípios.

O projeto de lei encaminhado pelo prefeito Rogério Franco, votado de forma célere na Câmara Municipal, com adesão total dos vereadores tem algumas facetas interessantes. A primeira delas, por se tratar de um projeto boomerangue (aquele que vai e volta). A pauta é antiga. Já foi apresentada pelo ex-prefeito Carlão Camargo, e no ano passado, houve uma primeira votação, onde alguns vereadores votaram contra o projeto. Antes da segunda rodada, o prefeito e alguns vereadores, postaram vídeo nas redes sociais dizendo que o projeto seria retirado da pauta. Mas antes, os vereadores que votaram contra o prefeito, foram punidos com a desoneração de indicados por eles em cargos comissionados. O grupo dos funcionários públicos comemorou a posição dos vereadores que votaram a seu favor. Se entusiasmaram e encheram as redes sociais de testemunhos enfáticos.

Mas ao retirar o projeto, antes da segunda votação, o que parecia ser um gesto de reflexão era uma jogada para se ganhar tempo. Se o projeto fosse votado em segunda rodada e derrotado, não poderia mais ser colocado em pauta. E na surdina, executivo e legislativo colocaram o mesmo projeto em pauta, e de forma célere o votaram em dois turnos, apesar de uma ofensiva na justiça contra o tema. Houve contrapartida do executivo para convencer o legislativo a votar? O que fez os vereadores que votaram contra anteriormente a mudar de opinião?

Os funcionários públicos perderam seus defensores na Câmara. Acabou o romance.

Como disse antes, retirar direitos é uma afronta.

Mas existe algo que precisa ser questionado: porque a sociedade precisa aceitar que um grupo seja privilegiado com direitos que a mesma sociedade não tem?

É preciso reconhecer que os tempos são outros.

É preciso falar da ineficiência e da qualidade dos serviços prestados por funcionários públicos, que se estivessem na iniciativa privada ou se não fossem indicados por políticos, não conseguiriam se manter no mercado. Com quais métricas são avaliados estes profissionais? Passam por cursos de aperfeiçoamento, de qualificação e reciclagem, como os empregados na iniciativa privada? São avaliados por seu desempenho, cumprindo metas e apresentando resultados? Quem trabalha na iniciativa privada sabe muito bem do peso destas perguntas, e sobretudo do peso das respostas a elas.

O funcionalismo público no Brasil tornou-se paraíso seguro, onde quem entra, salvo exceções claramente, independente do seu resultado e do seu desempenho vive tranquilo, “imexível”, enquanto a grande maioria da população, está vendo todos os dias seus direitos sendo diminuídos ou ameaçados. Tornou-se uma casta.

Não vejo nenhum funcionário público preocupado com a qualidade dos serviços públicos (e quando o fazem, fazem por motivações políticas). Se juntam unicamente quando sentem que algo pode mexer em seus bolsos.

O projeto em questão é vergonhoso? Sem dúvida. Se este projeto é de suma importância porque não se explica e se justificam o impacto econômico a curto, médio e longo prazo desta medida? Qual valor a ser economizado? Em que os “recursos economizados” serão investidos? Para pagar aluguel de prédio vazio? Para manter estruturas de secretarias que não funcionam, a não ser para cabides de indicados políticos?

Talvez se poderia pensar em novas regras para aqueles que entrassem hoje no sistema, sem ferir os que já conquistaram os direitos que estão sendo ameaçados.

E é preciso urgentemente, modernizar o sistema público nacional, estadual e municipal, para que todos possam continuar tendo direitos. E é claro, com administração e gestão inteligente, transparente e de qualidade.

Faço aqui meu reconhecimento aos zelosos professores e professoras da rede pública. Aos corajosos Guardas Municipais. Aos agentes de saúde. E a todos os demais funcionários públicos, mas não podemos mais conviver com uma casta de privilégios pagos por recursos públicos. De modo algum este pensamento é generalizado. Mas é preciso que enquanto sociedade possamos pensar sobre eles.

*Rubens da Fonseca (pseudônimo, morador de Sucupira, confabulador politico-sigilista)

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3 Comments

  1. Cotia esta finalmente caindo na real, na realidade do resto do pais!! Inclusive no modo de gerir o dinheiro arrecadado dos impostos dos cidadãos e eleitores de Sucupira.A visão dessa gente não converge com a realidade do restante do povo brasileiro. Eles são alienados do resto de nós!!

  2. Vai ter textão da Casta do “Lesados” vistos como imexíveis pelo Governo…

    No dia 02 de fevereiro de 2018, os “lesados” pelo Governo, que são vistos por alguns como os imexíveis, mais uma vez foram de forma covarde surrupiados por quem deveria dar o exemplo e respeitar a lei, criada por eles…

    Temos anos de trabalho que foi violentamente camuflados com medidas paliativas utilizadas pelo governo para sufocar direitos conquistados pelos trabalhadores privados…

    No dia 01 de maio de 1943, foi criada a CLT que garantiu a todos do setor privados direitos trabalhistas fundamentais…

    Mas o GOVERNO buscaria uma maneira de nos retirar do cenário legal, a casta hoje vista como imexíveis…

    Garantindo aquilo que trocaríamos sem reclamar ou mesmo lutar, estabilidade e os benefícios arduamente conquistados…

    Sendo assim os imexiveis que são “lesados” pelo governo propõe:

    Recolha o FGTS segundo o tempo de trabalho de cada “lesado” imexível…

    Reajuste nossos salários conforme todas as categorias segundo o tempo de trabalho…

    Faça a rescisão de todos os “lesados” imexíveis no Ministério do Trabalho, só não esqueçam de pagar a semestralidade para categoria do magistério, afinal lei e lei…

    Ah! Não dispensamos nosso aviso prévio, às horas extras e no caso do magistério as longas horas dedicadas a correção dos cadernos e no preparo das aulas e que são muito mal pagas.

    Pronto…

    Na sequência contrate os “lesados” dos imexíveis…

    Pois temos algo que governo nenhum tira de nós, capacidade de nos habilitarmos no setor privado, afinal já fazemos isso com a primazia dos imexíveis que são espoliados por quem desrespeita a CLT… O governo corrupto que usa a lei segundo sua conveniência…

    Sim somos imexíveis… Temos que ser imexíveis, pois garantimos com o nosso melhor dentro do pior que nos é oferecido em anos de roubo legalizado…

    Obs: Não esqueçam nunca a casta dos “lesados” imexíveis do magistério garante ao país todas as profissões…

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