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Posted on 13/abril/2019 in Notícias, Slide

Como solucionar a tragédia nossa de cada verão

Como solucionar a tragédia nossa de cada verão

Chuvas, enchentes, desabamentos, desabrigados e mortes. O cenário se repete a cada verão. Não chega a surpreender, portanto, que as enchentes tenham sido a maior causa de mortes da estação: entre dezembro de 2018 e março deste ano, aconteceram 38 mortes no Estado de São Paulo, um aumento de 280% em relação ao verão passado, de acordo com dados da Defesa Civil. Somente na cidade de São Paulo foram sete o número de mortos, contra quatro no verão passado. Já o total de desabrigados saltou de 1.400 para 1.670. Uma das causas dos estragos causados pelas chuvas e pelas enchentes é a impermeabilização do solo, já que cimento e asfalto dominam a paisagem urbana. O risco de tragédias é ampliado em razão de moradias construídas em áreas consideradas impróprias, como encostas e morros.

“A drenagem hoje é insuficiente em virtude de vários aspectos, um deles, obviamente, é o excesso de asfalto na cidade”, afirma Pedro Roberto Jacobi, coordenador do Grupo de Estudos de Meio Ambiente e Sociedade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP. As soluções para enfrentar eventos extremos, como os trazidos pelas chuvas e enchentes, não estão suficientemente claras, mas, de acordo com ele, passam por uma redução “do grau de asfaltamento”.

Um outro problema, não menos grave, é a localização de famílias nas proximidades de córregos e em áreas sujeitas à erosão, principal causa da perda de vidas. “Essas ocupações”, diz Jacobi, “são decorrência de um longo processo de urbanização em condições inadequadas”. Tudo agravado pela carência do poder público em não oferecer uma política urbana adequada e, ao mesmo tempo, falhar no sentido de promover habitação social. Para o especialista, uma solução seria substituir as formas de drenagem, uma vez que os piscinões oferecem somente uma resposta pragmática e temporária. A solução ideal, ao longo do tempo, seria dar mais espaço para os rios, mas “a cidade fez o contrário, reduziu o espaço do rio, transformou o Rio Tietê num canal”.

Por Paulo Capuzzo / Jornal da USP

 

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